Augusto
Boal – O poeta que transcreve a realidade de forma teatral.
Por:
Márcia Maia
“Ser humano é
ser teatro”
Augusto Boal
Sob
a influência dos conhecimentos transmitidos pela professora Gisele Vasconcelos
sobre Augusto Boal, dramaturgo e ensaísta brasileiro de renome internacional,
podemos a partir da II Unidade da disciplina Expressão Corporal ter maior
aproximação com sua obra Teatro do Oprimido, assim como tecer nossos próprios
conhecimentos sobre este grande teatrólogo nacional e internacional conhecido.
A
facilidade como tal obra fora explorada pela então professora e seu assistente (mestrando/estagiário)
Alysson Ericeira, proporcionou a turma, por meio da prática, se apropriar e identificar
não só a unidade desta obra, como também reconhecer sua força política e social,
cuja importância pedagógica é acessível a todos quando refletida que “o
educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua prática docente,
reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão.”
(Paulo Freire, p.26). Assim, no sentido de tornar os futuros docentes capazes
de despertar e reconhecer que todos têm algo a contribuir na construção do
conhecimento, a professora Gisele administrou a II unidade por meio de
experimentos e reflexões, proporcionando aos alunos conjecturar a cerca da obra
e sua materialidade com a ação/atividade proposta em sala de aula.
O
processo de desenvolvimento da referida unidade, deu-se por atividades que
foram divididas por etapas de aprendizagem, as quais também foram
complementadas por elementos enriquecedores como a apresentações de arquivos em
vídeo sobre Boal. Destacamos aqui algumas etapas do processo, das denominaremos
a partir de então de técnicas:
1
– Conhecimento do próprio corpo: por meio dos comandos dados, os alunos vão
articulando o corpo por parte até despertá-lo por completo, porém a parte do
corpo que é mais exigida nessa técnica é as articulações dos pés que por meio
de diversos movimentos e posições são ao mesmo tempo massageados, como também
alongados. Para Boal a importância de cada um conhecer seu próprio corpo tem
como objetivo fazer com que tenhamos consciência das possibilidades que o nosso
corpo oferece, como também das condições que o trabalha que realizamos prova
deformidades, ou seja, “cada um deve sentir a “alienação muscular” imposta pelo
trabalho sobre o seu corpo” (Boal, p. 145).
2
- Hipnotismo: a turma é dividi em dupla e o comando dado é para que uma pessoa
da dupla estenda seu braço e deixe sua mão estendida a alguns centímetros do
rosto do companheiro, com a palma da mão vira para o nariz deste, e a partir de
então este último seguirá todas as direções impostas pela palma da mão, pois
seu olhar tem que estar fixada na mão do companheiro, sendo posteriormente
invertidos os papéis.
3
– Estátua: divididos por dupla, o comando é que uma das pessoas da dupla no
primeiro momento manipule o outro da maneira que melhor achar que deva fazer.
As manipulações são de acordo com o manipulador, tendo somente o cuidado de não
machucar o companheiro em um movimento que possa trazer desconforto. Para quem
é manipulado deve deixar seus corpo sem vontade própria e submeter-se a vontade
do outro.
Após
as técnicas preparatórias acimas descritas, onde corpos foram preparados e
mentes assumiram, em momentos distintos, o lugar de opressor e oprimido, foi
proposto à turma ser dividida em quatro grupos, sendo que cada grupo faria uma a
encenação a partir de uma reportagem em jornal escolhida anteriormente. A
notícia deveria ser dada por meio de encenação que deveria esta baseada em
técnicas simples que transmitem a informação sem necessariamente utilizar da
linguagem escrita. Dessa forma, cada equipe foi orientada a escolher uma das
técnicas (leitura simples; leitura cruzada; leitura com ritmo; ação paralela;
improvisação; histórico; reforço; concreção da abstração; texto fora do
contexto) que pudessem fazer com que sua notícia chegasse da melhor maneira
possível aos alunos (espectadores).
Percebe-se
que a técnica desenvolvida por Boal tem como fundamento o caráter humanitário,
pois proporciona a todos, de uma forma ou de outra e em dados momentos, a
ocuparem o papel de oprimido e opressor, fazendo com que reflitam como podem
mudar suas atitudes e tornar um mundo melhor para todos.
Referências
bibliografias:
Boal, Augusto. Teatro do oprimido
e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro Ed: Civilização Brasileira S.A.
1975.
Freire,
Paulo. Pedagogia da autonomia:
saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996 (Coleção
Leitura)
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