terça-feira, 19 de fevereiro de 2013


                       Augusto Boal – O poeta que transcreve a realidade de forma teatral.

Por: Márcia Maia
 
“Ser humano é ser teatro”
                                                                                                                                           Augusto Boal
 

Sob a influência dos conhecimentos transmitidos pela professora Gisele Vasconcelos sobre Augusto Boal, dramaturgo e ensaísta brasileiro de renome internacional, podemos a partir da II Unidade da disciplina Expressão Corporal ter maior aproximação com sua obra Teatro do Oprimido, assim como tecer nossos próprios conhecimentos sobre este grande teatrólogo nacional e internacional conhecido.
A facilidade como tal obra fora explorada pela então professora e seu assistente (mestrando/estagiário) Alysson Ericeira, proporcionou a turma, por meio da prática, se apropriar e identificar não só a unidade desta obra, como também reconhecer sua força política e social, cuja importância pedagógica é acessível a todos quando refletida que “o educador democrático não pode negar-se o dever de, na sua prática docente, reforçar a capacidade crítica do educando, sua curiosidade, sua insubmissão.” (Paulo Freire, p.26). Assim, no sentido de tornar os futuros docentes capazes de despertar e reconhecer que todos têm algo a contribuir na construção do conhecimento, a professora Gisele administrou a II unidade por meio de experimentos e reflexões, proporcionando aos alunos conjecturar a cerca da obra e sua materialidade com a ação/atividade proposta em sala de aula.
O processo de desenvolvimento da referida unidade, deu-se por atividades que foram divididas por etapas de aprendizagem, as quais também foram complementadas por elementos enriquecedores como a apresentações de arquivos em vídeo sobre Boal. Destacamos aqui algumas etapas do processo, das denominaremos a partir de então de técnicas:
1 – Conhecimento do próprio corpo: por meio dos comandos dados, os alunos vão articulando o corpo por parte até despertá-lo por completo, porém a parte do corpo que é mais exigida nessa técnica é as articulações dos pés que por meio de diversos movimentos e posições são ao mesmo tempo massageados, como também alongados. Para Boal a importância de cada um conhecer seu próprio corpo tem como objetivo fazer com que tenhamos consciência das possibilidades que o nosso corpo oferece, como também das condições que o trabalha que realizamos prova deformidades, ou seja, “cada um deve sentir a “alienação muscular” imposta pelo trabalho sobre o seu corpo” (Boal, p. 145).
2 - Hipnotismo: a turma é dividi em dupla e o comando dado é para que uma pessoa da dupla estenda seu braço e deixe sua mão estendida a alguns centímetros do rosto do companheiro, com a palma da mão vira para o nariz deste, e a partir de então este último seguirá todas as direções impostas pela palma da mão, pois seu olhar tem que estar fixada na mão do companheiro, sendo posteriormente invertidos os papéis.
3 – Estátua: divididos por dupla, o comando é que uma das pessoas da dupla no primeiro momento manipule o outro da maneira que melhor achar que deva fazer. As manipulações são de acordo com o manipulador, tendo somente o cuidado de não machucar o companheiro em um movimento que possa trazer desconforto. Para quem é manipulado deve deixar seus corpo sem vontade própria e submeter-se a vontade do outro.
Após as técnicas preparatórias acimas descritas, onde corpos foram preparados e mentes assumiram, em momentos distintos, o lugar de opressor e oprimido, foi proposto à turma ser dividida em quatro grupos, sendo que cada grupo faria uma a encenação a partir de uma reportagem em jornal escolhida anteriormente. A notícia deveria ser dada por meio de encenação que deveria esta baseada em técnicas simples que transmitem a informação sem necessariamente utilizar da linguagem escrita. Dessa forma, cada equipe foi orientada a escolher uma das técnicas (leitura simples; leitura cruzada; leitura com ritmo; ação paralela; improvisação; histórico; reforço; concreção da abstração; texto fora do contexto) que pudessem fazer com que sua notícia chegasse da melhor maneira possível aos alunos (espectadores).
Percebe-se que a técnica desenvolvida por Boal tem como fundamento o caráter humanitário, pois proporciona a todos, de uma forma ou de outra e em dados momentos, a ocuparem o papel de oprimido e opressor, fazendo com que reflitam como podem mudar suas atitudes e tornar um mundo melhor para todos.

Referências bibliografias:
 Boal, Augusto. Teatro do oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro Ed: Civilização Brasileira S.A. 1975.

Freire, Paulo. Pedagogia da autonomia: saberes necessários à prática educativa. São Paulo: Paz e Terra, 1996 (Coleção Leitura)

 

Nenhum comentário:

Postar um comentário