por Brenda
Oliveira
“O mundo é uma foto em processo,
somos um registro visual de algo que queremos ser ou que buscamos combater em
nós e no mundo.” (Brenda Oliveira)
O
conhecimento de nosso corpo, corpo constituído de ossos, músculos e
articulações e corpo social, político, é essencial, pois ele é a nossa fonte de
som e movimento. Como afirma Boal, pois:
“[...] deve-se primeiramente conhecer o
próprio corpo, para poder depois torna-lo mais expressivo [...], deixando (o
espectador) de ser objetivo e passando a ser sujeito, convertendo-se de
testemunha em protagonista.” (BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e outas
poéticas. p 131).
Trabalhar o
consciente guardado em nós, ou seja, nossos registros memoriais, através de
fotos em “alto-relevo” (feito com os próprios indivíduos que contribuíram com
seus depoimentos), é o que gera uma consciência real da opressão que a muito
vivemos e calamos. Essa forma de fazer teatro foi a qual nos apropriamos em
sala de aula e a quem Boal intitulou de “Teatro- imagem”.
Começamos
todo o processo com um aquecimento, para reconhecimento corporal, com enfoque
nas articulações, brincamos uns com os outros, em um momento um indivíduo da
dupla era como um escultor a esculpir sua obra, utilizando-se das suas articulações
e assim depois o outro tomava a forma de escultor. Fizemos esta dinâmica
primeiramente parada, depois em movimentação por toda a sala de aula,
utilizamos dela para gerar uma desconstrução corporal, como bem indica Boal,
para que todo o corpo seja reconhecido em meio as suas dificuldades, traumas,
possibilidades de recuperação.
Logo em
seguida aplicamos o teatro- imagem com o objetivo de deixar que um indivíduo
fale através do grupo, em forma de imagens, este mantem- se como um escultor a
esculpir uma imagem, não podendo usar a fala, apenas expressões faciais sobre
qual a forma do rosto o indivíduo- escultura deve fazer.
Em sala,
dividimo-nos em quatro grupos, cada grupo, entre si, discutiram assuntos
polêmicos ou, até mesmo, não levados em questão por uma grande massa da
sociedade, após esta discussão, cada grupo evidenciou o seu tema, através de
uma “cena”, única e estática (imagem). Primeiramente ninguém do grupo pode
falar nada a respeito do assunto, apenas deixar que os corpos estáticos falassem.
Os alunos que apreciam a forma da imagem começam a expor suas ideias sobre qual
seria o tema, mesmo que errem o grupo- imagem ainda não interfere.
Depois de um
grande debate é que os compositores da “cena” dizem qual foi o assunto e assim,
todos juntos, referindo-me a todos os outros três grupos, com suas ideias,
formam uma nova imagem, isso se não acharem plausível e coerente com o tema à
imagem anterior.
O grande
objetivo é:
“[...] chegar a um conjunto modelo que, na
opinião geral, seja a concreção escultural do tema dado, isto é: este modelo é
a representação física deste tema!” (BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e outras
poéticas. p 144.)
Conseguimos
observar que em muitos momentos buscamos o mesmo ideal em meio a questões
sociais, mas por imaginarmos soluções diferentes, acabamos andando em círculos e
não solucionando. Devemos parar e perceber que o que realmente importa não é a
forma que a solução deve ter (voltando para as imagens), mas sim a solução que
irá acontecer e que beneficiará a todos. Precisamos de indivíduos que tomem
iniciativa, a ação é um grande progresso. Ter atitude é essencial. Parto de
Boal quando assim me coloco:
“Não diga o que pensa: venha e mostre.”
(BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e outras poéticas. p 145.)
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