terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Teatro-Imagem: uma linguagem não-verbal.


          Por: Jeane Silva

              Augusto Boal um dos dramaturgos mais citados na atualidade, foi um dos autores abordados em um dos módulos da disciplina Prática de Criação Dramática. O modulo em questão trataria do tema “Teatro do Oprimido”, e nenhum nexo teria falar em Teatro do Oprimido e suas classificações sem mencionar Boal. O teatro do oprimido é o teatro da libertação, onde deixa de existir a divisão que determina quem encena e quem observa, todos são atores e encenadores. “as classes dominantes se apropriaram do teatro e construíram muros divisórios” (BOAL, 1975). E foi para derrubar esses muros que Boal utilizou o recurso teatral e assim, “O povo oprimido se liberta. E outra vez conquista o teatro.[...] o expectador volta a representar, a atuar [...]”(BOAL, 1975).Na unidade foi vista as sub-unidades, teatro imagem e teatro jornal. Neste escrito irei fazer uma observação a partir do vivenciado na aula que abordou o teatro imagem, quanto a aula cujo tema foi o teatro jornal, infelizmente não acompanhei até o final por motivos de saúde.
A aula de teatro imagem, foi direcionada pelo mestrando e estagiário Alysson Ericeira, com o acompanhamento da Professora Gisele Vasconcelo, como de costume, a aula iniciou com um aquecimento, denominado “Mosquito Africano”. O aquecimento exigia concentração e agilidade, no inicio foi difícil conseguir conciliar o ritmo com os movimentos, mas bastou um pouco de concentração  e todos seguiram sincronizados. Logo depois a professora Gisele dividiu a sala em 4 equipes cada uma com 3 integrantes, em seguida pediu-nos sugestão de temas, que teriam que está relacionados com a sociedade em que vivemos, “um tema determinado, de interesse comum, que os participantes desejem discutir” (BOAL,1975), vários temas foram expostos e dentre todos foram escolhidos quatro: Cultura, sexualidade, violência e politica. Fez-se o sorteio do tema, a equipe que fiquei era composta por Fernando e Arisson, o tema sorteado por nós foi a sexualidade, nos foi dado alguns minutos para discussão e então chegamos a conclusão que nosso tema seria mais amplo do que pensávamos, discutimos vários temas que relacionavam se com o tema central e dentre todos escolhemos tratar da exploração sexual. O ministrante pediu-nos que escolhêssemos um encenador, que
expresse sua opinião, mas sem falar: deve apenas usar os corpos dos demais participantes para “esculpir” com eles um conjunto de estátuas, de tal maneira que suas opiniões e sensações resultem evidentes.[...]Deverá determinar a posição de cada corpo até os detalhes mais sutis de  suas expressões fisionômicas.” (BOAL, 1975)
Foram apresentadas todas a cenas congeladas, em seguida  foi nos dado a seguinte instrução: “Façam um movimento devagar”, “executem um som”, “Falem uma palavra”. Logo após a exposição das cenas, a professora escolheu um tema para ser analisado, o tema escolhido foi cultura, “Depois de organizado este conjunto de estatuas, deve-se discutir com os demais participantes”  (BOAL,1975), a equipe expôs esculturas que representavam a cultura como é vista em nosso estado, e o que nos foi mostrado nada mais era que o velho clichê ao qual a cultura é relacionada, o Bumba-Meu-Boi, com a cena em foco, a professora nos perguntou que imagem nós víamos, a principio não foi identificado o tema e foi necessário a equipe revelar o tema, “Todo o debate é feito pelos “escultores” que modificam “esculturas”” (BOAL,1975), com o tema já conhecido por todos fomos orientados a modificar as estatuas como achássemos mais conveniente, “Todos  têm o direito de modificar o [...] o conjunto, no todo ou em parte” (BOAL,1975), a modificação seria com a finalidade de chegar a imagem ideal, ou seja, aquela imagem que colocaria um fim ao problema exposto, as modificações foram feitas conforme a vontade e visão de cada um, a professora só nos pediu que fosse respeitando a opinião do outro. E as modificações seguiram com cada um modificando apenas uma estátua afinal “o jogo com imagens oferece muitas possibilidades. O importante é sempre analisar a viabilidade de transformação” (BOAL,1975). Quando chegamos a um consenso a imagem escolhida como imagem ideal mostrava as diferentes formas de cultura e não apenas o Bumba meu Boi, como mostrava a imagem real apresentada pela equipe. Após a escolha da imagem ideal, a professora pediu que fosse mostrado  a imagem de transição, que seria a imagem que melhor exibe o caminho para chegar ao que seria a imagem ideal para o problema exposto “isto é, temos uma realidade que queremos transformar; como transforma-la?” (BOAL,1975). No momento todos concordaram que a melhor imagem que demonstraria tal transição seria a figura de todos abraçados, em sinal de união e aceitação. A aula  concluiu-se com a professora indagando-nos se teria ficado claro o conceito de teatro imagem.
Conforme por mim observado o teatro imagem é um teatro onde todos expõem suas ideais, “é sem duvida, uma das mais estimulantes, por ser tão fácil de praticar e por sua extraordinária capacidade de tornar visível o pensamento” (BOAL,1975) mas para tal sucesso de execução da forma teatral em questão, é preciso em primeiro lugar respeitar a visão dos demais integrantes, e ao modificar a imagem não alterar o sentido da cena, apenas acrescentar. 

BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira. 1991.

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