por Marcelo Lopes
“Eu sou tanta gente diferente para mim, que eu nem sei quem eu sou... eu sei apenas quem eu quero ser” ( Augusto Boal)
Antes de nos desesperarmos em buscar (ou pelo menos tentar) o conceito de teatro, tenho uma pequena e pessoal nota de observação: “Nos tornarmos expectadores de nós mesmos, é a primeira forma de fazer (ser) teatro, eu sendo o meu próprio diretor, meu contrarregra, meu figurinista, meu maquiador, meu cenógrafo, meu ator e eu mesmo, sou o meu universo e o meu nada, a minha desgraça e a minha alegria, sou um ser pensante e um ser passivo da passividade humana, colocado na maquina da vida que funciona como uma engenhoca velha, que com um problema ou outro, faz o seu papel de verdade, eu sou tudo isso junto e misturado eu sou Marcelo Lopes, eu sou teatro”.
Com o sorriso que só ela sabe dar, um
sorriso que mais parece narração e que por vez vale lembrar, isso aqui não é
nem uma babação! Estou falando é da professora Gisele, que mais uma vez, nos
apresenta um conteúdo, que entra em nossas cabeças sem nem pedir licença, e
quando se percebe nós estamos lá, fazendo ,criando e rindo, e desta vez, não
foi diferente, pois nos foi apresentado o teatro imagem, onde a discussão por
temas problemáticos na sociedade e no mundo nos levam a uma expressão onde o “corpo-imagem”,
diz toda a indignação e revolta por tais problemas, e esse contato se deu da
seguinte forma: A turma foi dividida em grupos de 4 (quatro) pessoas , onde com
temas propostos e aceito pelos alunos,
foi feito a divisão dos próprios temas nos grupos, e o grupo onde eu me
encontrava, tinha como base de discussão a violência, nesse sentido Augusto
Boal afirma que:
Esta forma de teatro-imagem é, sem
dúvida, uma das mais estimulantes, por ser tão fácil de praticar e por sua
extraordinária capacidade de tonar visível o pensamento. Isto ocorre porque,
quando se usa a linguagem idioma, cada palavra utilizada possui uma denotação
que é a mesma para todos, mas possui igualmente uma conotação, que é a única para
cada um.
(BOAL Augusto, 1991, p.159)
Em uma discussão sobre o tema
“violência”, colocamos situações pessoais, e boa parte do que se tem de
referencia sobre o assunto, a parti disso, a proposta era montar uma imagem,
que simbolizasse a palavra violência, tendo como base também toda a discussão.
Após a imagem montada foi pedido que fizéssemos uma movimentação, referente ao
tema, depois apenas um ia fazendo a movimentação individualmente, sendo que os
outros integrantes continuavam estáticos, e após todos fazerem a movimentação,
foi pedido que falássemos uma palavra, primeiro todos juntos, depois só um, até
o momento em que nos foi instruído que interagíssemos um com o outro, mas ainda
no mesmo estilo de apresentação, apenas um falava, depois voltavas à imagem
original e assim sucessivamente. A partir disso Augusto fala que:
Através desse processo, será possível
observar se um conjunto se transforma em outro (real em ideal) por obra graça
do Espírito Santo, ou se a transformação se opera pelas forças em contradição
no seio mesmo do conjunto. ( Boal Agusto 1991, p. 160)
Depois de todo esse processo, foi
escolhido um grupo, que a partir da imagem real ( a que foi criada por eles), a
sala tinha que interferir na mesma , para que se chegasse a imagem ideal para
todos presentes, o que não se deu com grande êxito, pois a partir da imagem do
grupo que tinha como tema a cultura, a função era de fazer mudanças, e
interferir, foram feitas varias
transformações, e varias indagações, e em relação a isso Boal diz:
Não diga o que pensa: venha e mostre!
O participante ia e mostrava, fisicamente, visualmente, o seu pensamento. (
Boal Augusto, 1991 p.157 )
O importante é chegar a um conjunto
modelo que, na opinião geral, seja a concentração escultural do tema dado, isto
é: este modelo é a representação física do tema! Quando finalmente se chega a
uma figura aceita mais ou menos unanimemente.
( Boal Augusto, 1991 p.156)
Depois de tantas mudanças e
discussões sobre como seria a imagem ideal, acabamos não conseguindo alcançar a
imagem onde todos estariam satisfeitos, mas uma boa parte da sala aceitou, e as
imagens seguiram da seguinte forma:
1°(Imagem real)
2 ° ( interferência por Tieta)
3° ( interferência por Tieta)
4° (
interferência por Fernando)
5° ( interferência por Necyllia)
6°
(interferência por Carla e Ligia)
7° (interferências)
( imagem aceita como ideal)
A ultima imagem foi aceita por parte
da sala como ideal, o que não alcançou o objetivo geral da proposta, que era
acima de tudo chegar ao conjunto modelo e de opinião geral.
Por fim! Quero esclarecer que na
minha opnião o teatro imagem ( e teatro no geral) e uma das melhores formas que
temos para transformar a realidade
atual, a realidade, onde cultura vira
assunto de macacos peludos e gordos, que se importam apenas com o dinheiro, em
que violência se torna a cultura do mais forte para oprimir o fraco, e em que o artista se
torna modelo de desmoralização por moralizar a sua arte. O teatro sem
conceitos, preceitos e preconceitos é a única forma de nos elevar a qualidade
de humanos, pois como dizia o grande Agusto Boal: “ Somos ainda pré-humanos”.
REFERÊNCIAS:
BOAL, Augusto. Teatro
do Oprimido. Rio de Janeiro: Editora: Civilização Brasileira, 1983 p.156, 157,
160.











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