terça-feira, 19 de fevereiro de 2013

Como assim teatro?


por Marcelo Lopes

“Eu sou tanta gente diferente para mim, que eu nem sei quem eu sou... eu sei apenas quem eu quero ser” ( Augusto Boal)


Antes de nos desesperarmos em buscar (ou pelo menos tentar) o conceito de teatro, tenho uma pequena e pessoal nota de observação: “Nos tornarmos expectadores de nós mesmos, é a primeira forma de fazer (ser) teatro, eu sendo o meu próprio diretor, meu contrarregra, meu figurinista, meu maquiador, meu cenógrafo, meu ator e eu mesmo, sou o meu universo e o meu nada, a minha desgraça e a minha alegria, sou um ser pensante e um ser passivo da passividade humana, colocado na maquina da vida que funciona como uma engenhoca velha, que com um problema ou outro, faz o seu papel de verdade, eu sou tudo isso junto e misturado eu sou Marcelo Lopes, eu sou teatro”.
Com o sorriso que só ela sabe dar, um sorriso que mais parece narração e que por vez vale lembrar, isso aqui não é nem uma babação! Estou falando é da professora Gisele, que mais uma vez, nos apresenta um conteúdo, que entra em nossas cabeças sem nem pedir licença, e quando se percebe nós estamos lá, fazendo ,criando e rindo, e desta vez, não foi diferente, pois nos foi apresentado o teatro imagem, onde a discussão por temas problemáticos na sociedade e no mundo nos levam a uma expressão onde o “corpo-imagem”, diz toda a indignação e revolta por tais problemas, e esse contato se deu da seguinte forma: A turma foi dividida em grupos de 4 (quatro) pessoas , onde com temas  propostos e aceito pelos alunos, foi feito a divisão dos próprios temas nos grupos, e o grupo onde eu me encontrava, tinha como base de discussão a violência, nesse sentido Augusto Boal afirma que:
Esta forma de teatro-imagem é, sem dúvida, uma das mais estimulantes, por ser tão fácil de praticar e por sua extraordinária capacidade de tonar visível o pensamento. Isto ocorre porque, quando se usa a linguagem idioma, cada palavra utilizada possui uma denotação que é a mesma para todos, mas possui igualmente uma conotação, que é a única para cada um.
(BOAL Augusto, 1991, p.159)



Em uma discussão sobre o tema “violência”, colocamos situações pessoais, e boa parte do que se tem de referencia sobre o assunto, a parti disso, a proposta era montar uma imagem, que simbolizasse a palavra violência, tendo como base também toda a discussão. Após a imagem montada foi pedido que fizéssemos uma movimentação, referente ao tema, depois apenas um ia fazendo a movimentação individualmente, sendo que os outros integrantes continuavam estáticos, e após todos fazerem a movimentação, foi pedido que falássemos uma palavra, primeiro todos juntos, depois só um, até o momento em que nos foi instruído que interagíssemos um com o outro, mas ainda no mesmo estilo de apresentação, apenas um falava, depois voltavas à imagem original e assim sucessivamente. A partir disso Augusto fala que:
Através desse processo, será possível observar se um conjunto se transforma em outro (real em ideal) por obra graça do Espírito Santo, ou se a transformação se opera pelas forças em contradição no seio mesmo do conjunto. ( Boal Agusto 1991, p. 160)


Depois de todo esse processo, foi escolhido um grupo, que a partir da imagem real ( a que foi criada por eles), a sala tinha que interferir na mesma , para que se chegasse a imagem ideal para todos presentes, o que não se deu com grande êxito, pois a partir da imagem do grupo que tinha como tema a cultura, a função era de fazer mudanças, e interferir,  foram feitas varias transformações, e varias indagações, e em relação a isso Boal diz:
Não diga o que pensa: venha e mostre! O participante ia e mostrava, fisicamente, visualmente, o seu pensamento. ( Boal Augusto, 1991 p.157 )
O importante é chegar a um conjunto modelo que, na opinião geral, seja a concentração escultural do tema dado, isto é: este modelo é a representação física do tema! Quando finalmente se chega a uma figura aceita mais ou menos unanimemente.
( Boal Augusto, 1991 p.156)
Depois de tantas mudanças e discussões sobre como seria a imagem ideal, acabamos não conseguindo alcançar a imagem onde todos estariam satisfeitos, mas uma boa parte da sala aceitou, e as imagens seguiram da seguinte forma:
1°(Imagem real)

                
2 ° ( interferência por Tieta)


 3° ( interferência por Tieta)


                 4° ( interferência por  Fernando)


5° ( interferência por Necyllia)


                 6° (interferência por Carla e Ligia)

7° (interferências)



( imagem aceita como ideal)

                 
A ultima imagem foi aceita por parte da sala como ideal, o que não alcançou o objetivo geral da proposta, que era acima de tudo chegar ao conjunto modelo e de opinião geral.
Por fim! Quero esclarecer que na minha opnião o teatro imagem ( e teatro no geral) e uma das melhores formas que temos  para transformar a realidade atual,  a realidade, onde cultura vira assunto de macacos peludos e gordos, que se importam apenas com o dinheiro, em que violência se torna a cultura do mais forte  para oprimir o fraco, e em que o artista se torna modelo de desmoralização por moralizar a sua arte. O teatro sem conceitos, preceitos e preconceitos é a única forma de nos elevar a qualidade de humanos, pois como dizia o grande Agusto Boal: “ Somos ainda pré-humanos”.



REFERÊNCIAS:
BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido. Rio de Janeiro: Editora: Civilização Brasileira, 1983 p.156, 157, 160.

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