segunda-feira, 18 de fevereiro de 2013

Educar sem adestrar: o teatro do oprimido como caminho para questionar


Tieta Macau

Como questionar através da arte? Como fazer o aluno refletir sobre a sua realidade? O Teatro do Oprimido devolve ao povo o teatro, a arma politica do questionamento, a voz politica da arte, a escola da realidade. Exercitar os jogos desta estética teatral na escola, na universidade ou na rua, traz a possibilidade de questionamentos e reflexões sobre a realidade social em que estamos inseridos. A principal necessidade do ser contemporâneo é de ser o impulsionador da ação, o ator da cena, e não um espectador do mundo.  Ao experimentarmos em sala o teatro imagem e o teatro fórum – técnicas do teatro do oprimido – passamos por dificuldades básicas: como satisfazer um ideal comum, como dar soluções sensatas a problemas cotidianos, como fazer imagens transitórias entre a representação da imagem real e da representação da imagem ideal. Não houve complicações para encontrar respostas individuais para estas questões, o custoso (e inalcançável a priori) foi encontrar soluções e respostas comuns. Mesmo se tratando de teatro, que é uma arte de grupo, ainda estamos lidando com seres humanos que vivem numa sociedade individualista, logo, ceder é questão de tempo, trabalho e exercício. Mais um ponto que o Teatro do Oprimido alcança a solução comum, um bem comum, para um problema social e popular.
Emancipar os oprimidos. Conviver de forma mais humanitária, igualitária, popular. O teatro lugar de onde se vê. Mundo, lugar onde se vive, oprime e onde somos oprimidos. Olhar, escutar, falar, comer, trabalhar, viver em grupo, aceitar, aceitar, aceitar... sociedade. Arte a deusa criadora. Teatro arma de ação de questionamento. Teatro do oprimido emancipatório, questionador, libertador, educador, critico, formador e popular. Associações aleatórias à palavras comuns do nosso vocabulário, associações que me levam ao conceito do que pode ser o Teatro do Oprimido. Dentro de uma formação em licenciatura em teatro, o difícil não é formar um conceito sobre “o que é e o que não é” esta estética teatral, e sim pensar em como levar essa proposta para sala de aula.
O conhecimento nasce a partir das relações humanas, e destas com o mundo, entretanto nenhum conhecimento está acabado e livre de questionamentos. Toda situação humana não está livre de questionamentos. Porém, o homem contemporâneo é acostumado a não questionar, a não procurar, uma vez que a mídia massiva, e os aparatos tecnológicos o “oferece” todas as informações que precisa, ou seja, o homem contemporâneo é adestrado como um animal passivo. Diante desta realidade é claramente importante a função contrária da escola, esta tem como finalidade educar. No dicionário a palavra educar tem como significado dar (a alguém) todos os cuidados necessários ao pleno desenvolvimento sadio da sua personalidade. Ou seja, um ser de mente sadia necessita compreender, relacionar e questionar. O educador tem como finalidade de sua formação socializar o saber, e formar integralmente, junto à família, o individuo. O teatro do oprimido é um dos meios que arte-educador possui para levar o aluno a questionar, a ensiná-lo a sair da posição de vitima da situação, a prepara-lo para ser agente de transformação. E isto na educação é revolução. “Pode ser que o teatro não seja revolucionário em si mesmo, mas não tenham dúvidas: é um ensaio da revolução! (BOAL, 1991, p. 181)

REFERÊNCIAS BIBLIOGRÁFICAS
BOAL, Augusto. Teatro do Oprimido e outras poéticas políticas. Rio de Janeiro: Editora Civilização Brasileira. 1991.
CANDA, Cilene Nascimento. Teatro do Oprimido e formação de professores: reflexões sobre emancipação humana e social. VI Congresso de pesquisa e pós-graduação em artes cênicas, 2010. 05 p. Disponível em:http://www.portalabrace.org/vicongresso/pedagogia/Cilene%20Canda%20-%20Teatro%20do%20Oprimido%20e%20forma%E7%E3o%20de%20professores_%20reflex%F5es%20sobre%20emancipa%E7%E3o%20humana%20e%20social.pdf. Acesso em: 17 fev. 2012.

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