Marcelo Lopes. Acadêmico do Curso Teatro-Licenciatura, na Universidade Federal do Maranhão
Terça-Feira, 13(treze) de Novembro de 2012, o dia começa com um ar, levemente nublado e agradabilíssimo, agradável o suficiente para a primeira aula da Professora, Mestre e Doutoranda, Gisele Vasconcelos, em: Praticas de Criação Dramática, na Universidade Federal do Maranhão, no Teatro de Bolso, CCH.
A aula se dá com um pouco de atraso, decorrente do péssimo e infeliz trânsito de São Luís (MA), um fator que não atrapalhou nem um pouco, pois a aula começou com todos os alunos presentes, (alguns não puderam ir por motivos pessoais) sendo estes convidados a embarcarem em um mundo onde a regra principal era: “dar o que se podia dar”.
A aula se dá com um pouco de atraso, decorrente do péssimo e infeliz trânsito de São Luís (MA), um fator que não atrapalhou nem um pouco, pois a aula começou com todos os alunos presentes, (alguns não puderam ir por motivos pessoais) sendo estes convidados a embarcarem em um mundo onde a regra principal era: “dar o que se podia dar”.
Estando todos prontos para embarcar, não sei pra onde, começa então a nossa viagem, e como toda viagem que se preza, era necessário um “passaporte”, e então instruídos pela professora Gisele fomos convidados a fazer o nosso próprio passaporte, que, em uma folha de papel A4, tínhamos que escrever o nosso nome (ou apelido) na qual gostávamos de ser chamados, e no verso da folha a estrofe de uma musica que nos trazia uma boa recordação. Vale ressaltar o que Jean-Pierre diz:
Considero de grande importância, no começo que os indivíduos tenham a ocasião de se situarem pessoalmente, de modo simples e concreto, no espaço de jogo e dentro do grupo. Para isso, proponho jogos de apresentação que têm como principal função superar o anonimato do grupo. Preocupado em evitar formalização, não proponho apresentações sucessivas acompanhadas de verbalização sistemática. Mas provoco situações em que cada um encontra ocasião para realizar um ato individual simples dizendo ( jogando) alguma coisa que equivale a uma apresentação, isto é, afirmar que se está presente, e bem presente, mesmo dentro de um grupo uniforme ou barulhento. (Ryngaert,2009 p.80)
Recentemente observei um maestro alsaciano encarregado de animar um baile de província. Ele lidava com um auditório disposto a se divertir, pronto para seguir sem pestanejar todas as instruções que pudesse dar. No entanto ele tomava a precaução de segmentá-las o mais possível, de modo que os participantes não soubessem nunca o que lhes aconteceria, seguindo de modo mecânico uma ordem aparentemente sem grandes consequências. Ele não dizia: “levantem-se e dancem”, e se o fizesse talvez ninguém o tivesse obedecido. Ele propunha simplesmente que levantassem a taça e era obedecido. Que a colocassem sobre a mesa, sem dificuldades. Depois, que afastassem a cadeira, se levantassem, girassem para a direita e andassem...Os participantes se encontravam no meio da pista sem jamais terem sido consultados se desejavam mesmo estar lá. Da mesma maneira, nunca dava ordem para aplaudir; ele propunha que levantassem os braços e batessem as mãos...( (Ryngaert,2009p.79)
Tendo em mãos os passaportes começa então a viajem, que de inicio não me pareceu nem um pouco agradável, mas bastou a imaginação funcionar e a interação com os meus colegas, que tudo acabou superando as minhas expectativas, sendo assim seguimos as seguintes orientações de Gisele: Ficamos em um circulo com os passaportes nas mãos, e com uma música ao fundo, tínhamos que nos movimentar normalmente pelo espaço, dando o nosso passaporte para a primeira pessoa que passasse pela frente e assim pegando o passaporte dessa pessoa também, fazendo varias trocas no decorrer da caminhada e acabando por perder o própio passaporte, e quando a musica parasse de tocar, tínhamos que chamar o nome ( ou apelido) da pessoa que estava em nossas mãos, mas tínhamos que chamar com intenção, como se a pessoa estivesse muito longe, por exemplo: o nome do passageiro que esta em minhas mãos era João, então eu tinha que chama-lo da seguinte forma: Jooooooooooooããããããoouooooooooo, lembrando que o meu passaporte também estava em mãos de outras pessoas, e eu tinha que tentar escutar a pessoa que estava me chamando, ate ir de encontro a ela e encontrar o meu passaporte, o jogo se deu com varias intenções e movimentações,tais como: pulando, correndo, andando em passos bem pequenininhos, com raiva,flutuando, triste, amorosamente, e alegre.
Após a ultima intenção e movimentação a música parou e todos ficaram em um circulo, e então começava o que eu chamo de: “The Voice UFMA de Teatro”, pois nós ainda não tínhamos encontrado os nossos passaportes e estávamos com os passaportes de outras pessoas, e a forma para encontrar o dono, e o nosso próprio passaporte, era cantar a música que estava no verso da folha, sendo assim a pessoa iria identificar o seu passaporte e por sua vez pegá-lo-ia, e a pessoa que estava cantando saia ( com um bom e gostoso abraço de quem tinha encontrado o passaporte).
E assim se deu a minha primeira experiência de viagem com Gisele e com os maravilhosos tripulantes cênicos ( meus colegas de turma) uma viagem tão louca, tão corrida, tão parada tão teatral e tão mágica!
E é desse jeito que se canta:
E é desse jeito que se canta:
Eu tava triste, tristinho!
Mais sem graça que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só, sozinho!
Mais solitário que um paulistano
Que um canastrão na hora que cai o pano
Tava mais bobo que banda de rock
Que um palhaço do circo Vostok...
Mais sem graça que a top-model magrela
Na passarela
Eu tava só, sozinho!
Mais solitário que um paulistano
Que um canastrão na hora que cai o pano
Tava mais bobo que banda de rock
Que um palhaço do circo Vostok...
Mas ontem eu recebi um telegrama
Era você de Aracaju ou do Alabama
Dizendo: Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundo tem alguém que diz:
Que muito te ama!
Que tanto te ama!
Que muito muito te ama,
que tanto te ama!...
Era você de Aracaju ou do Alabama
Dizendo: Nêgo sinta-se feliz
Porque no mundo tem alguém que diz:
Que muito te ama!
Que tanto te ama!
Que muito muito te ama,
que tanto te ama!...
Por isso hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria
Hoje eu acordei
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...
Com uma vontade danada
De mandar flores ao delegado
De bater na porta do vizinho
E desejar bom dia
De beijar o português
Da padaria...
Mama! Oh Mama! Oh Mama!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu papa!...( Baleiro, Telegrama)
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu!
Quero ser seu papa!...( Baleiro, Telegrama)
“Meu chinelo passou por muitos obstáculos, pulou vários muros, e andou pela escuridão, mais com dificuldade e muitos sorrisos, conseguiu enxergar e encontra a luz do TEATRO”!
(Marcelo Lopes)
REFERENCIA:
RYNGAERT, Jean-Pierre. Jogar, representar: práticas dramáticas e formação. Cosac Naify,p.80/79,2009.
BALEIRO, Zeca. Telegrama.
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