quarta-feira, 19 de dezembro de 2012

Dossiê


Por:  Marcia Maia
1 – Introdução
                O presente trabalho fora extraído das anotações feitas durante as aulas ocorridas na disciplina de prática de criação dramática, ministradas pela professora Gisele Vasconcelos em que demonstraram por meio de exercícios o método de jogos teatrais desenvolvido por Viola Spolin, que com sua linguagem vem estimulando o ator a buscar aperfeiçoar sua atuação no palco por meio do trabalho com a estrutura dramática (onde, quem e o quê). “Longe de estar submisso a teorias, sistemas, técnicas ou leis, o ator passar a ser o artesão de sua própria educação, aquele que se produz livremente a si mesmo.” (Ingrid Dormien Koudela).
                Ao se deixar levar pelo jogo teatral o ator passa a desenvolver uma maior sensibilidade com o que lhe é proposto a criar, de forma que a utilização de linguagem coloquial, direta e objetiva como a que é empregada por Viola Spolin, possibilita com que esse jogador (ator) se liberte das amarras e deixe fluir ações e intenções sem se prender ao que o outro possa achar, se tais movimentos, para chegar a objetividade do jogo, deixam feio ou bonito sua criação dramática.
                Gisele também aponta o encenador norte-americano Bob Wilson como um dos grandes inovadores na arte de jogar com elementos da cena, revelando para os alunos um formalismo por qual  é reconhecido como “é tudo perfeito”. Também, ele é conhecido por colocar no palco ritmos e tensões opostas com a utilização da lentidão e a retenção de movimentos.
Viola Spolin desenvolveu vários exercícios cujo objetivo era propor ao jogador (ator) a prática sob a forma de solucionar problemas a serem desenvolvidos no palco, durante a atuação.  Já BobWilson desenvolveu exercícios antinaturalistas, cujo cotidiano não se apresentava no palco, priorizando a estilização da atuação.
Assim, nesse primeiro dossiê vamos conhecer alguns registros feitos por mim durante a aula da professora Gisele quando esta nos propõe alguns jogos teatrais, tendo como fim a solução dos mesmos.
1ª Aula:
Gisele:  Criar cena a partir de material não dramático, ou seja investir em práticas em que não utilize texto originalmente dramatúrgico, tais com poemas, cartas... Ela cita como exemplo o Teatro do Oprimido de Augusto Boal.
Jogo: Passaporte: cada aluno escreve em um pedaço de papel seu nome ou como gostaria de ser chamado e um trecho de uma música que gosta. Todos se levantam, andam rápido, devagar, pulam, e vão ocupando cada espaço da sala, trocando os passaportes. E, por fim, a cada comando da professora, o nome que está escrito no passaporte deve ser pronunciado das seguintes formas: gritado, baixo, lento, cantado; sendo que todos falam ao mesmo tempo o nome que tem em mãos, e quando a pessoa cujo nome estiver sendo pronunciado pela outra consegui identificá-lo, o papel é trocado e no final cada um consegue reconhecer seu nome e ficar com o seu passaporte original.
Em seguida, há novamente uma troca de passaportes, também realizada através de comandos em que os espaços sejam ocupados de forma rápida, lenta, leve, saltitando e tendo como objetivo a troca dos passaportes. Porém, dessa vez os jogadores se colocam em circulo e cada um lê o trecho da música que tem em mão, e o jogador que identificar sua música, canta e outros jogadores que a conhece também cantam junto, e assim vai dando sequencia ao jogo. 
Gisele pede que seja escrito em uma folha de cartolina a indicação três ações em um esboço de roteiro e a turma é dividida em grupos para a construção dessa atividade.
Para encerrar Gisele pediu que os jogadores sentados em círculo falem por onde os seus sapatos andaram. Quando todos contam um pouco de sua caminhada até chegar à sala de aula, são convidados a participar de uma brincadeira que se chama Escravo de Jó, cujo objetivo estava em encontrar a harmonia entre a música e o gesto ao passar os sapatos, até que cada um ficasse com os seus próprios.   

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